sábado, 18 de abril de 2015

visionário






decifro
 códigos
 de
   guerra
enquanto
   sonho






   

quase catarse






não sou o santo
nem salvador da pátria
só trabalho só

no silêncio da sala
onde flui a dor cega






lobo no escuro






falas da noite profunda
sino de outrora e do refluxo
das horas que acendem e apagam

sobre o caminho do rio
sobre o caminho do vidro
sobre o caminho do aço

falas da noite profunda e antes

da aurora os pássaros se calam






sábado, 4 de abril de 2015

uma nova esquerda









que fique do passado
a raiz da história   degrau
plataforma e pista onde

o futuro se ergue e voa
e que ninguém esqueça como
até o sonho mais bonito apodrece

se exerce a exclusiva custódia

do progresso da justiça e da verdade





sexta-feira, 3 de abril de 2015

lara minha princesa






um silêncio gritante
que fala com intensidade
da penumbra e do deslumbramento

um silêncio onde florescem gestos
sentidos sintaxes significados
e símbolos abertos todos muito claros

um silêncio que só é lágrima ao tocar

o sofrimento alheio jamais o próprio






sexta-feira, 20 de março de 2015

viralata






olhar
viralata :

solidão
    na
      rua
               lotada






conversa







a música chove enquanto
posiciono e retiro
agulhas e saudade

as múltiplas faces
infinitas palavras
retornam ao silêncio

o guerreiro do repouso é

tão forte ser frágil








quinta-feira, 19 de março de 2015

alma profunda






o quase das coisas
quebrando certezas
na trave não vale

se não completa não houve
na superfície da face
a alma profunda

mergulha e nada

que não se afogue








xadrez






janelas do voo
onde pousam partidas
adeus às armas







responsabilidade








pensamentos
não
        se
              reproduzem
       autóctones :

       responsabilidade







lembranças sem uso






entulho sem reciclagem
lembranças sem uso apodrecem
e não formatam o novo

nem fecundam a inércia
somam ao vazio vagas
e sequestram o espaço

mas ao vencer o tempo     amando

incinera-se a negatividade







própria







sussurra sonhos
das pernas aos passos       luz
da própria alma









aurora






varandas
  vestidas
    de
        orvalho :

brisa
       iluminada







sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

tijolo das ideias destituídas de refinamento




na parede dos gestos
desenhos e mandalas
(silêncio gráfico)

podem parecer palavras
entretanto são gritos
pesadelos entrelaçados

ao tijolo das ideias

destituídas de refinamento






arrebatamento necessário




olhares sem pensar acolhem
imprevistos na luz e na rua
(encontros escorregadios)

buracos e janelas
na pauta dos compromissos
nas promessas agendadas

subtraindo da rotina

o arrebatamento necessário






tranquilo




luz entre folhas
curva onde pousa o
olhar tranquilo






alma blindada




janela
  hermética
  visão
           transparente
alma
    blindada






fratura das lembranças




fratura das lembranças
elas não se perdem mas não são
achadas e vagam sonâmbulas

como o olhar daquele
que as possui e não usa
e assim não saboreia

o dia ( ontem e hoje ) e o brilho

das últimas palavras vividas






estrangeiro




vales e vilas
onde         só          (des)caminho  
alheio e neutro





   

av ibirapuera




na
av(enida)
      estagnada
carros
       me
     invejam