quinta-feira, 18 de maio de 2017

sombra







apenas
   perfume
mas
    ilumina
    a
     sombra













vaso







o voo no vaso
cintila a sua falta
perdoa e cresce











chuva



                                   



sou o silêncio do raio
mas também costumo ser
o trovão que o antecede

um dia serei apenas
a chuva que acaricia
a pele das árvores

o corpo das palavras

a alma da cidade









segunda-feira, 11 de abril de 2016

o ninho a nuvem sua própria árvore






de abandono em abandono
se tece um novo condomínio
escola pública museu metrô

deserdado espaço onde eram
sol e sombra terreno teia de pássaros
pois aquele que ficam não fincam

seu coração aos lugares desocupam

o ninho a nuvem sua própria árvore








rumo






a rua resume
ramos e rotas      rumo
todos os passos








camadas








colhendo
              sombras
refaço
         camadas
         de
            caminho








sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

alma opaca corpo transparente







ruge
      range
              roça
a fibra e fímbria
                      da
                          camada
                                    mais
                                           fosca
                                  ( mais
                                           tosca ? )
alma
      opaca
corpo
       transparente












ilhas







ilha na alma
onde não se esconde
sua claridade







ande








ruas
     envolvem
                lembranças :

ande
       onde
               ando






domingo, 2 de agosto de 2015

e fazem da luz um caminho






o adágio de albinoni
a sonata ao luar de beethoven
e os noturnos de chopin

amparam a claridade
desse domingo azul
cheio de brisa e pássaros

ameno amigo e fazem

da luz um caminho





sempre aceita






a escuridão
é quem escolhe a luz
sempre aceita





máximas menores







presente

deixe flores
onde houver espinhos




completo

o silêncio
nunca excede




desapego

as perdas
transbordam





a saudade é uma árvore podada






a saudade é uma
árvore podada
desabrochando de novo

o tempo das flores
o tempo dos espinhos
e também as pausas

onde o silêncio chove

e fazemos poesia





flores lilases






flores lilases
na luz das cerejeiras
nuvens de canto

e sombra de pássaros
enxameiam o inverno





reprovérbios






                                                                    "mais vale um pássaro na mão
                                                                                     do que dois voando"

voos

voos na mão
e pássaros livres







                                                                  "quem ama o feio
                                                                   bonito lhe parece"
o amor

o amor embeleza
os que amam e
os que são amados





 
                                                                     "quem espera
                                                                    sempre alcança"
si e sol

a espera colhe
as flores de si
nas horas do sol









sexta-feira, 3 de julho de 2015

movimentos da chuva





a chuva se movimenta
na claridade e nas vozes
acolhendo as faces

que acordam e adormecem
entre a brisa dos olhares
e a alma silenciosa

a chuva se move e move

a palavra invernal acesa





oposto da culpa





liberdade é
o oposto da culpa
faço se gosto

assumo e não sofro
a vida me pertence






bolsas e benesses : o fim da festa






bolsas

bolsa grotões da miséria
bolsa bndes
bolsa odebrecht
bolsa militância comprada
bolsa movimento sempre torto





benesses

mansão em portugal
(vizinho de sir "incomum" ney)
cobertura triplex no guarujá
sítio atibaiense de luxo
benesses de bebum





o fim da festa

o fogo de curitiba
vai queimar múltiplos braços
e consumir a gosma
que protege essa farsa
amoral e podre








quinta-feira, 2 de julho de 2015

vivendo e transbordando





escrevo andando
(só dentro dos olhos)
escrevendo ouvindo

(dentro e fora do silêncio)
e escrevo enquanto sonho
e quando me esqueço

(a palavra se escreve e eu sigo

vivendo e transbordando)









ábaco




números


nomes são números
na matemática da alma
a poesia também conta






detalhes


detalhes do sonho
e da realidade
multiplicam a face
dividem o silêncio






nome


era uma vez
uma história
dentro de um nome









claridade e transparência




as nuvens pisam
um solo de sonhos       um
outro cimento

feito de claridade
feito de transparência






sexta-feira, 12 de junho de 2015

três faces da chuva




primeira


uma gota de paz
dilui os ruídos
chove
chove mais silêncio






segunda


é um abraço
o guarda-chuva
e a marquise
é um encontro






terceira


silêncio da água
sussurro da brisa
até o frio
aquece









seda e arrepio




acaricia e limpa a chuva
pele e pulmão da cidade
com delicadeza e nostalgia

da solidão molhada
aos encontros úmidos
aos namorados a chuva brinda

um colchão de carinhos e gestos

onde seda e arrepio se alinham






domingo, 31 de maio de 2015

faces do crepúsculo




noite


alto e cansado ele passa
foi maior mas decaiu
aliás sempre foi pequeno
e agora também é
triste e grisalho





espera


o cheiro na chuva
lembra flores cansadas
banho demorado
excesso de perfume
que sufoca qualquer conversa





estrela


ela volta
sempre na hora
em que o sol se despede
e a lua agradece








quarto




a manhã desdobra folhas
entre ruídos amassados
e palpitações da luz
objetos indistintos pulsam

na penumbra do que é
sonho mas já acordou
e avança adivinhando
a imprevista aurora

e escorrega do corpo
insônia ou pesadelo
ou simples delírio porém

a ternura da pele
devolve a lucidez
que havia se exilado







quinta-feira, 28 de maio de 2015

alcunha : transgressões e transcendência




consistência de brisa
pérola que se evapora
na claridade do silêncio
somente a palavra salva

sobre fragmentos de frase
sujeito do que foi
predicado do que é
somente o verbo voa

construção do soneto
obra livre e assimétrica
alcunha : transgressões e transcendência

enquanto puristas sem rumo
caçam métrica e rima       a poesia
selvagem e nua dá risadas






farsa completa : brasília 2015




pisando no silêncio
palavras que não crescem
idéias sujam o chão
onde a alma se reflete

a solidão no planalto
é pessoal e pública :
aqui quem manda sou
(antes era assim também)

mas a morte não sossega
essa implacável senhora
e fica esperando na porta

perto da farsa completa
(escárnio e infâmia) e da imensa
lata de lixo da história






quarta-feira, 6 de maio de 2015

sexta-feira, 24 de abril de 2015

passageiro e casual






a pele macia e lisa
corresponde à alma triste
nos vetores da busca

sonho sem desejo
(o sol sobre a árvore
a sombra sob o poema)

se também é macia a alma

a pele pode ficar triste






sábado, 18 de abril de 2015

dedo mínimo






símbolos
gritam
            na
noite
        suja :
                  traição







discurso






traços perdem nitidez
(aliás nunca tiveram)
no desenho das nuvens

nas linhas do voo solo
no abismo das ideologias
na lógica movediça

(areia e lama e mentiras)

"não sei       não sabia de nada"






antes da queda






luz de reserva
antecede a queda
notícias pulsam

silêncios sobrevivem
quando o morto morre






visionário






decifro
 códigos
 de
   guerra
enquanto
   sonho






   

quase catarse






não sou o santo
nem salvador da pátria
só trabalho só

no silêncio da sala
onde flui a dor cega






lobo no escuro






falas da noite profunda
sino de outrora e do refluxo
das horas que acendem e apagam

sobre o caminho do rio
sobre o caminho do vidro
sobre o caminho do aço

falas da noite profunda e antes

da aurora os pássaros se calam






sábado, 4 de abril de 2015

uma nova esquerda









que fique do passado
a raiz da história   degrau
plataforma e pista onde

o futuro se ergue e voa
e que ninguém esqueça como
até o sonho mais bonito apodrece

se exerce a exclusiva custódia

do progresso da justiça e da verdade





sexta-feira, 3 de abril de 2015

lara minha princesa






um silêncio gritante
que fala com intensidade
da penumbra e do deslumbramento

um silêncio onde florescem gestos
sentidos sintaxes significados
e símbolos abertos todos muito claros

um silêncio que só é lágrima ao tocar

o sofrimento alheio jamais o próprio






sexta-feira, 20 de março de 2015

viralata






olhar
viralata :

solidão
    na
      rua
               lotada






conversa







a música chove enquanto
posiciono e retiro
agulhas e saudade

as múltiplas faces
infinitas palavras
retornam ao silêncio

o guerreiro do repouso é

tão forte ser frágil








quinta-feira, 19 de março de 2015

alma profunda






o quase das coisas
quebrando certezas
na trave não vale

se não completa não houve
na superfície da face
a alma profunda

mergulha e nada

que não se afogue








xadrez






janelas do voo
onde pousam partidas
adeus às armas







responsabilidade








pensamentos
não
        se
              reproduzem
       autóctones :

       responsabilidade







lembranças sem uso






entulho sem reciclagem
lembranças sem uso apodrecem
e não formatam o novo

nem fecundam a inércia
somam ao vazio vagas
e sequestram o espaço

mas ao vencer o tempo     amando

incinera-se a negatividade







própria







sussurra sonhos
das pernas aos passos       luz
da própria alma









aurora






varandas
  vestidas
    de
        orvalho :

brisa
       iluminada







sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

tijolo das ideias destituídas de refinamento




na parede dos gestos
desenhos e mandalas
(silêncio gráfico)

podem parecer palavras
entretanto são gritos
pesadelos entrelaçados

ao tijolo das ideias

destituídas de refinamento






arrebatamento necessário




olhares sem pensar acolhem
imprevistos na luz e na rua
(encontros escorregadios)

buracos e janelas
na pauta dos compromissos
nas promessas agendadas

subtraindo da rotina

o arrebatamento necessário






tranquilo




luz entre folhas
curva onde pousa o
olhar tranquilo






alma blindada




janela
  hermética
  visão
           transparente
alma
    blindada






fratura das lembranças




fratura das lembranças
elas não se perdem mas não são
achadas e vagam sonâmbulas

como o olhar daquele
que as possui e não usa
e assim não saboreia

o dia ( ontem e hoje ) e o brilho

das últimas palavras vividas






estrangeiro




vales e vilas
onde         só          (des)caminho  
alheio e neutro





   

av ibirapuera




na
av(enida)
      estagnada
carros
       me
     invejam






sábado, 15 de novembro de 2014

sagitariano







 ambígua
      natureza:

       liberdade
         selvagem

         sublime
             ideal





escorpiniano








ferroada
     carícia

 kundalini
      sobe

libido
     vinga





libriano







ponderar
   beleza

mas
     vênus
  (seduzida)
          desequilibra







virginiano







abraço
  inteligente

detalhe
     que
         ilumina

                   biblioteca






leonino







domínio
 (domingo)
        solar

     juba
     (júbilo)
    coroada






canceriano








coleciono
  afetos
  onde
         livre
              me
            prendo






geminiano







dois
     rumos
diversos
          caminhos
múltipla
         face







taurino








enraízo
               manhãs
                 sobre
                asfalto
fazendo
               fazenda







ariano








tecer
         inícios
no
     início     :

                      fogo
                   criativo






pisciano






costuro
          viagens
             nas
        lembranças
             imóveis :

                         relicário








aquariano







lugares
     alagam
     esquálida
        lógica :
                  luz
               aquosa





capricorniano






nas
     formas
 consagradas
  um
     brilho
            novo





sexta-feira, 31 de outubro de 2014

cálice






falo para o coração
quando me calo      quando
contenho minha raiva        quando

percebo o simples fato :
somos diferentes não adversários
"eu sou eu e você é você

e se nos encontrarmos será maravilhoso
e se não      não há nada a fazer"









P.S.: os versos entre aspas são uma livre adaptação e tradução de trechos da belíssima Oração Gestalt de Fritz Perls.

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

(dissonância desses tristes tempos)






o que sou me sussurra
dentro dos ruídos da raiva
entre os atalhos e espinhos

da minha mente inquieta
o status da minha essência :
ahimsa            amor-sabedoria

(mesmo que eu ainda fale e falhe a partir
da dissonância desses tristes tempos)