segunda-feira, 21 de julho de 2014

agônico e sensual











fenece
          e renasce
de novo fenece
                         e rerenasce
e assim sem cessar
permanecem
dançando um tango
sensual e agônico

a vida
           cruel e sedutora
e o anjo
              bondoso da morte










oceano e horizonte









inverso das vozes
música do silêncio
colorindo o horizonte
onde se espelha
e se espalha
o imenso
o intenso

oceano sem palavras










deus na eternidade












cresce no final
e desafivela-se
cinto e sangue

o sonho de ser homem
deus na eternidade








transparente








o
   perdão
é
    transparente
luz
       iluminada










fragilidade








tão
       forte
fragilidade
             que
tudo
         desarma









torto








curvando a luz
assimétrico traço
desejo torto








quinta-feira, 17 de julho de 2014

longe









repentina voz
lá dentro e bem longe
o maior silêncio









momentos











braços dados
um longo caminho
afeto comum
o pão diário
no café da manhã

mais adiante
em outro olhar
a ausência de luz

momentos diferentes
pessoas desiguais
que não se cruzam









aeroporto










pulsos
     velozes

        círculo
             de
          fogo :

                     aeroporto








casas








folhas na rua          luz
cimentando silêncio  :
casas do sono









quarta-feira, 16 de julho de 2014

aprendizado







sento e sinto
silenciosamente
o que move as palavras
o lugar escuro
onde nascem os gestos
e como convergem
(palavras e gestos)
sobre espinhos e arestas
(corpo e alma)
plasmando este aprendizado

que chamamos de doença







flauta









solo e sonho
a delicada flauta
mínima onda

flui no silêncio onde
a aurora boceja







pétala










as cores soltas
(translúcida pétala)
aquecem a rua







pássaros









árvores
      abraçam
        edifício
onde
        pássaros
       florescem






terça-feira, 15 de julho de 2014

caminho










caminhos
    pulsam
             no
                 caminho :

                  viva
                     viagem









passos









passos na sombra
últimas luzes na luz
que nunca dorme










compromisso








vislumbre
primícia
compromisso

a manhã deixa de ser uma
promessa

e se cumpre








carros









parados
    passando
           carros

    manhã
            ou
          noite ?








nenhum










mínima fala
e quase nenhum vulto :
rua do silêncio










sorriso








em cada folha
silêncio
em cada brisa
soluço
manhã noturna
e a lua lá no alto

é um sorriso








eu sou aquilo que é







transbordando vozes
                            e visões
o tempo se move
nas espirais do silêncio

sobre si mesmo
                    no eixo

do
      eu sou
                 aquilo que é






dedos da alma







sobre o sono
tocando as estrelas
dedos da alma










domingo, 13 de julho de 2014

vivo mosaico







as horas depositam
na pele das ideias
murmurios
                ruídos
                          silêncios
o paladar das imagens
cheiros visíveis
amores de mentira
                            e de verdade

as horas se depositam
na substância da alma
e se tecem vivo mosaico
que pulsa
                indefinidamente






lágrimas








lágrimas
            são
                 brilhos
de
    estrela
              extinta







sexta-feira, 11 de julho de 2014

concreto







outros passos
outros pássaros
acontecem
                   fora da janela :

porto
          de  primícias
pouso
           de promessas









         



puro silêncio










depois da festa
nasce na tempestade
puro silêncio









tema









filhos
     da
     palavra :

  entre
           nuvens

      assuntos









desafeto










desafeto :
         
    solidão
    coagulando

           chuva
                 na
              pele















dissabores







doce
       excessivo
torna-se
             amargo
depois
          amargura









quinta-feira, 10 de julho de 2014

uma pergunta







uma pergunta
entre os gestos
                       solta
atravessa as frases
                            e entorta

a caligrafia das vozes







pensamentos arranham minha face






de todas as coisas
trago apenas folhas
ah é tão pouco esse pão
e tão secas as palavras

levo aonde for
como se não fosse nada
como se não fosse água
este amor suas asas

todas as mães que tive
as famílias impossíveis
os retratos dissipados

olho para as minhas mãos :
música suave vozes no tapete
pensamentos arranham minha face






insônia







alta
   madrugada
       margens
               da
           palavra :
                        insônia







terça-feira, 8 de julho de 2014

céu opaco








nudez do olhar
vestindo claridade
no céu opaco








jogo da vida








o sono que dói
evapora
entre nuvens e sombras
a certeza de vencer
na rua
           e no campo
o medo
            e o cansaço







música chuva








carro
 transbordando
              música

silêncio
       varrendo
            chuva







manhã escura







manhã escura
caminho no orvalho
depois da chuva








flores vermelhas







nenhuma folha
a árvore acende
flores vermelhas







chama








as
   flores
        no
asfalto
        despertam
        olhares







levamos o ser deixamos amor







fica de nós
somente aquilo
que foi amado
e levamos apenas
o que fizemos
com encanto e arte

e não é mais nosso







segunda-feira, 7 de julho de 2014

sombras







sombras :
           
            lugares
            onde
                   a
                      claridade
                          sonha





passos sem pressa






a tarde desce
do silêncio à festa
passos sem pressa





sábado, 5 de julho de 2014

sou o que escrevo







escrevo o que sou
                            sou
o que escrevo
                     não
finjo
       não invento
apenas vejo
reflexos
            retratos
                        reflexões
da palavra sobre o silêncio
                                        milhares
de pedaços inteiros
                              poucos
versos
          mínima face

história infinita







mais








encostado
  no
      sonho
               
               levanto
                         mais
               leve






vozes bem claras








abrindo flores
olhares sem neblina
vozes bem claras









copa sem reeleição









acolho
     cores
        verde
    amarelo
                 rejeito
                          verme(lho)s








quinta-feira, 3 de julho de 2014

pouso de pausas








rede de folhas
um radar luminoso
pouso de pausas








o sol desponta cor de rosa








as nuvens protegem
a aurora muito frágil
levíssimo traço
da chuva que se esconde

a sabiá e o padre
passam por mim
e não me olham

mas a claridade
vai vencendo a sombra

e o sol desponta
                            cor de rosa









             

no deserto flor









sua face ressoa
estrada e estrela
no deserto flor







cerca elétrica










poemas
               gotejam
       na
           cerca
                    elétrica

                               amanhece






canto bem claro








canto bem claro
escuro onde nasce
silêncio na rua

o inverno nas flores
esse frio que aquece







terça-feira, 1 de julho de 2014

na manhã nascente a árvore silenciosa







ruídos do céu da rua e da casa
na manhã nascente
somente a árvore
é totalmente silenciosa

no sono das palavras
a primeira luz desperta
depois que se apagam
todas as outras luzes

e todas as lembranças
da vida passada
a poesia das pedras

os sabores do encontro
na manhã nascente
a árvore silenciosa