sexta-feira, 3 de julho de 2015

movimentos da chuva





a chuva se movimenta
na claridade e nas vozes
acolhendo as faces

que acordam e adormecem
entre a brisa dos olhares
e a alma silenciosa

a chuva se move e move

a palavra invernal acesa





oposto da culpa





liberdade é
o oposto da culpa
faço se gosto

assumo e não sofro
a vida me pertence






bolsas e benesses : o fim da festa






bolsas

bolsa grotões da miséria
bolsa bndes
bolsa odebrecht
bolsa militância comprada
bolsa movimento sempre torto





benesses

mansão em portugal
(vizinho de sir "incomum" ney)
cobertura triplex no guarujá
sítio atibaiense de luxo
benesses de bebum





o fim da festa

o fogo de curitiba
vai queimar múltiplos braços
e consumir a gosma
que protege essa farsa
amoral e podre








quinta-feira, 2 de julho de 2015

vivendo e transbordando





escrevo andando
(só dentro dos olhos)
escrevendo ouvindo

(dentro e fora do silêncio)
e escrevo enquanto sonho
e quando me esqueço

(a palavra se escreve e eu sigo

vivendo e transbordando)









ábaco




números


nomes são números
na matemática da alma
a poesia também conta






detalhes


detalhes do sonho
e da realidade
multiplicam a face
dividem o silêncio






nome


era uma vez
uma história
dentro de um nome









claridade e transparência




as nuvens pisam
um solo de sonhos       um
outro cimento

feito de claridade
feito de transparência






sexta-feira, 12 de junho de 2015

três faces da chuva




primeira


uma gota de paz
dilui os ruídos
chove
chove mais silêncio






segunda


é um abraço
o guarda-chuva
e a marquise
é um encontro






terceira


silêncio da água
sussurro da brisa
até o frio
aquece









seda e arrepio




acaricia e limpa a chuva
pele e pulmão da cidade
com delicadeza e nostalgia

da solidão molhada
aos encontros úmidos
aos namorados a chuva brinda

um colchão de carinhos e gestos

onde seda e arrepio se alinham






domingo, 31 de maio de 2015

faces do crepúsculo




noite


alto e cansado ele passa
foi maior mas decaiu
aliás sempre foi pequeno
e agora também é
triste e grisalho





espera


o cheiro na chuva
lembra flores cansadas
banho demorado
excesso de perfume
que sufoca qualquer conversa





estrela


ela volta
sempre na hora
em que o sol se despede
e a lua agradece








quarto




a manhã desdobra folhas
entre ruídos amassados
e palpitações da luz
objetos indistintos pulsam

na penumbra do que é
sonho mas já acordou
e avança adivinhando
a imprevista aurora

e escorrega do corpo
insônia ou pesadelo
ou simples delírio porém

a ternura da pele
devolve a lucidez
que havia se exilado







quinta-feira, 28 de maio de 2015

alcunha : transgressões e transcendência




consistência de brisa
pérola que se evapora
na claridade do silêncio
somente a palavra salva

sobre fragmentos de frase
sujeito do que foi
predicado do que é
somente o verbo voa

construção do soneto
obra livre e assimétrica
alcunha : transgressões e transcendência

enquanto puristas sem rumo
caçam métrica e rima       a poesia
selvagem e nua dá risadas






farsa completa : brasília 2015




pisando no silêncio
palavras que não crescem
idéias sujam o chão
onde a alma se reflete

a solidão no planalto
é pessoal e pública :
aqui quem manda sou
(antes era assim também)

mas a morte não sossega
essa implacável senhora
e fica esperando na porta

perto da farsa completa
(escárnio e infâmia) e da imensa
lata de lixo da história






quarta-feira, 6 de maio de 2015

luz que vive silenciosa






teu sono me abraça
sonhos que me sussurram
paisagens no quarto

viagens sobre a cama
lençóis que viram asas
esta manhã sorrindo

dentro da noite escura

 luz que vive silenciosa







sonosemente






veios de inverno
nos canais de outono :
sonosemente







recicle






não
       encalhe
acolha
            recicle
seu
      passado






sexta-feira, 24 de abril de 2015

passageiro e casual






a pele macia e lisa
corresponde à alma triste
nos vetores da busca

sonho sem desejo
(o sol sobre a árvore
a sombra sob o poema)

se também é macia a alma

a pele pode ficar triste






sábado, 18 de abril de 2015

dedo mínimo






símbolos
gritam
            na
noite
        suja :
                  traição







discurso






traços perdem nitidez
(aliás nunca tiveram)
no desenho das nuvens

nas linhas do voo solo
no abismo das ideologias
na lógica movediça

(areia e lama e mentiras)

"não sei       não sabia de nada"






antes da queda






luz de reserva
antecede a queda
notícias pulsam

silêncios sobrevivem
quando o morto morre






visionário






decifro
 códigos
 de
   guerra
enquanto
   sonho