Aqui você tropeça no poeta e em suas poesias!!!Venha,veja,comente,aprecie,critique e usufrua este encontro!!
sexta-feira, 3 de julho de 2015
movimentos da chuva
a chuva se movimenta
na claridade e nas vozes
acolhendo as faces
que acordam e adormecem
entre a brisa dos olhares
e a alma silenciosa
a chuva se move e move
a palavra invernal acesa
bolsas e benesses : o fim da festa
bolsas
bolsa grotões da miséria
bolsa bndes
bolsa odebrecht
bolsa militância comprada
bolsa movimento sempre torto
benesses
mansão em portugal
(vizinho de sir "incomum" ney)
cobertura triplex no guarujá
sítio atibaiense de luxo
benesses de bebum
o fim da festa
o fogo de curitiba
vai queimar múltiplos braços
e consumir a gosma
que protege essa farsa
amoral e podre
quinta-feira, 2 de julho de 2015
vivendo e transbordando
escrevo andando
(só dentro dos olhos)
escrevendo ouvindo
(dentro e fora do silêncio)
e escrevo enquanto sonho
e quando me esqueço
(a palavra se escreve e eu sigo
vivendo e transbordando)
ábaco
números
nomes são números
na matemática da alma
a poesia também conta
detalhes
detalhes do sonho
e da realidade
multiplicam a face
dividem o silêncio
nome
era uma vez
uma história
dentro de um nome
claridade e transparência
as nuvens pisam
um solo de sonhos um
outro cimento
feito de claridade
feito de transparência
sexta-feira, 12 de junho de 2015
três faces da chuva
primeira
uma gota de paz
dilui os ruídos
chove
chove mais silêncio
segunda
é um abraço
o guarda-chuva
e a marquise
é um encontro
terceira
silêncio da água
sussurro da brisa
até o frio
aquece
seda e arrepio
acaricia e limpa a chuva
pele e pulmão da cidade
com delicadeza e nostalgia
da solidão molhada
aos encontros úmidos
aos namorados a chuva brinda
um colchão de carinhos e gestos
onde seda e arrepio se alinham
domingo, 31 de maio de 2015
faces do crepúsculo
noite
alto e cansado ele passa
foi maior mas decaiu
aliás sempre foi pequeno
e agora também é
triste e grisalho
espera
o cheiro na chuva
lembra flores cansadas
banho demorado
excesso de perfume
que sufoca qualquer conversa
estrela
ela volta
sempre na hora
em que o sol se despede
e a lua agradece
quarto
a manhã desdobra folhas
entre ruídos amassados
e palpitações da luz
objetos indistintos pulsam
na penumbra do que é
sonho mas já acordou
e avança adivinhando
a imprevista aurora
e escorrega do corpo
insônia ou pesadelo
ou simples delírio porém
a ternura da pele
devolve a lucidez
que havia se exilado
quinta-feira, 28 de maio de 2015
alcunha : transgressões e transcendência
consistência de brisa
pérola que se evapora
na claridade do silêncio
somente a palavra salva
sobre fragmentos de frase
sujeito do que foi
predicado do que é
somente o verbo voa
construção do soneto
obra livre e assimétrica
alcunha : transgressões e transcendência
enquanto puristas sem rumo
caçam métrica e rima a poesia
selvagem e nua dá risadas
farsa completa : brasília 2015
pisando no silêncio
palavras que não crescem
idéias sujam o chão
onde a alma se reflete
a solidão no planalto
é pessoal e pública :
aqui quem manda sou
(antes era assim também)
mas a morte não sossega
essa implacável senhora
e fica esperando na porta
perto da farsa completa
(escárnio e infâmia) e da imensa
lata de lixo da história
quarta-feira, 6 de maio de 2015
luz que vive silenciosa
teu sono me abraça
sonhos que me sussurram
paisagens no quarto
viagens sobre a cama
lençóis que viram asas
esta manhã sorrindo
dentro da noite escura
luz que vive silenciosa
sexta-feira, 24 de abril de 2015
passageiro e casual
a pele macia e lisa
corresponde à alma triste
nos vetores da busca
sonho sem desejo
(o sol sobre a árvore
a sombra sob o poema)
se também é macia a alma
a pele pode ficar triste
sábado, 18 de abril de 2015
discurso
traços perdem nitidez
(aliás nunca tiveram)
no desenho das nuvens
nas linhas do voo solo
no abismo das ideologias
na lógica movediça
(areia e lama e mentiras)
"não sei não sabia de nada"
antes da queda
luz de reserva
antecede a queda
notícias pulsam
silêncios sobrevivem
quando o morto morre
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