domingo, 2 de agosto de 2015

e fazem da luz um caminho






o adágio de albinoni
a sonata ao luar de beethoven
e os noturnos de chopin

amparam a claridade
desse domingo azul
cheio de brisa e pássaros

ameno amigo e fazem

da luz um caminho





sempre aceita






a escuridão
é quem escolhe a luz
sempre aceita





máximas menores







presente

deixe flores
onde houver espinhos




completo

o silêncio
nunca excede




desapego

as perdas
transbordam





a saudade é uma árvore podada






a saudade é uma
árvore podada
desabrochando de novo

o tempo das flores
o tempo dos espinhos
e também as pausas

onde o silêncio chove

e fazemos poesia





flores lilases






flores lilases
na luz das cerejeiras
nuvens de canto

e sombra de pássaros
enxameiam o inverno





reprovérbios






                                                                    "mais vale um pássaro na mão
                                                                                     do que dois voando"

voos

voos na mão
e pássaros livres







                                                                  "quem ama o feio
                                                                   bonito lhe parece"
o amor

o amor embeleza
os que amam e
os que são amados





 
                                                                     "quem espera
                                                                    sempre alcança"
si e sol

a espera colhe
as flores de si
nas horas do sol









sexta-feira, 3 de julho de 2015

movimentos da chuva





a chuva se movimenta
na claridade e nas vozes
acolhendo as faces

que acordam e adormecem
entre a brisa dos olhares
e a alma silenciosa

a chuva se move e move

a palavra invernal acesa





oposto da culpa





liberdade é
o oposto da culpa
faço se gosto

assumo e não sofro
a vida me pertence






bolsas e benesses : o fim da festa






bolsas

bolsa grotões da miséria
bolsa bndes
bolsa odebrecht
bolsa militância comprada
bolsa movimento sempre torto





benesses

mansão em portugal
(vizinho de sir "incomum" ney)
cobertura triplex no guarujá
sítio atibaiense de luxo
benesses de bebum





o fim da festa

o fogo de curitiba
vai queimar múltiplos braços
e consumir a gosma
que protege essa farsa
amoral e podre








quinta-feira, 2 de julho de 2015

vivendo e transbordando





escrevo andando
(só dentro dos olhos)
escrevendo ouvindo

(dentro e fora do silêncio)
e escrevo enquanto sonho
e quando me esqueço

(a palavra se escreve e eu sigo

vivendo e transbordando)









ábaco




números


nomes são números
na matemática da alma
a poesia também conta






detalhes


detalhes do sonho
e da realidade
multiplicam a face
dividem o silêncio






nome


era uma vez
uma história
dentro de um nome









claridade e transparência




as nuvens pisam
um solo de sonhos       um
outro cimento

feito de claridade
feito de transparência






sexta-feira, 12 de junho de 2015

três faces da chuva




primeira


uma gota de paz
dilui os ruídos
chove
chove mais silêncio






segunda


é um abraço
o guarda-chuva
e a marquise
é um encontro






terceira


silêncio da água
sussurro da brisa
até o frio
aquece









seda e arrepio




acaricia e limpa a chuva
pele e pulmão da cidade
com delicadeza e nostalgia

da solidão molhada
aos encontros úmidos
aos namorados a chuva brinda

um colchão de carinhos e gestos

onde seda e arrepio se alinham






domingo, 31 de maio de 2015

faces do crepúsculo




noite


alto e cansado ele passa
foi maior mas decaiu
aliás sempre foi pequeno
e agora também é
triste e grisalho





espera


o cheiro na chuva
lembra flores cansadas
banho demorado
excesso de perfume
que sufoca qualquer conversa





estrela


ela volta
sempre na hora
em que o sol se despede
e a lua agradece








quarto




a manhã desdobra folhas
entre ruídos amassados
e palpitações da luz
objetos indistintos pulsam

na penumbra do que é
sonho mas já acordou
e avança adivinhando
a imprevista aurora

e escorrega do corpo
insônia ou pesadelo
ou simples delírio porém

a ternura da pele
devolve a lucidez
que havia se exilado







quinta-feira, 28 de maio de 2015

alcunha : transgressões e transcendência




consistência de brisa
pérola que se evapora
na claridade do silêncio
somente a palavra salva

sobre fragmentos de frase
sujeito do que foi
predicado do que é
somente o verbo voa

construção do soneto
obra livre e assimétrica
alcunha : transgressões e transcendência

enquanto puristas sem rumo
caçam métrica e rima       a poesia
selvagem e nua dá risadas






farsa completa : brasília 2015




pisando no silêncio
palavras que não crescem
idéias sujam o chão
onde a alma se reflete

a solidão no planalto
é pessoal e pública :
aqui quem manda sou
(antes era assim também)

mas a morte não sossega
essa implacável senhora
e fica esperando na porta

perto da farsa completa
(escárnio e infâmia) e da imensa
lata de lixo da história






quarta-feira, 6 de maio de 2015

luz que vive silenciosa






teu sono me abraça
sonhos que me sussurram
paisagens no quarto

viagens sobre a cama
lençóis que viram asas
esta manhã sorrindo

dentro da noite escura

 luz que vive silenciosa







sonosemente






veios de inverno
nos canais de outono :
sonosemente